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Inovação

Você vai perder o seu emprego e isso vai ser maravilhoso

Nos últimos anos vivemos uma obsessão por nossos empregos. Passamos a enxergar nossas profissões como forma de afirmar nosso motivo de existir no mundo e ser reconhecido por isso era a fórmula do sucesso. A maneira de fazer isso era buscar por um oceano azul, terras nunca antes exploradas e ser único. Mas em um mundo em que já se sabe muito, precisávamos ir muito além para nos destacarmos. Viramos especialistas do detalhe, do detalhe, do detalhe. Em um piscar de olhos, sem perceber, tornamo-nos míopes para todo o resto. Mas isso não foi suficiente para que saíssemos da nossa zona de conforto, estávamos tranquilos, pois sabíamos tudo que precisávamos saber e éramos os únicos capazes de fazer isso.

Até o fadado momento em que a tecnologia ampliou o acesso a qualquer tipo de informação. Tudo que quiséssemos saber estava à distância de um clique. O contato com o excesso de dados escancarou a escassez do nosso conhecimento. Sabíamos muito, porém, de muito pouco, e obviamente isso chacoalhou as estruturas. Pois além de saber daquilo tudo que não sabíamos, o assunto em que éramos especialistas, o tio Google sabia muito mais e ainda apresentava isso em formatos de vídeo, imagem, notícia, artigo - e sabemos que essa lista tende ao infinito. Do dia para a noite tornamo-nos obsoletos, mesmo tendo feito tudo certinho. Vida injusta!

Na manhã seguinte que percebemos essa realidade, travamos uma guerra – e por mais que digam que não era necessária, ela foi travada com razão. Para uma sociedade que apresentava o cartão de visitas antes de cumprimentar o outro ou falava das conquistas profissionais antes mesmo de citar que tinha filhos, não é surpreendente a indignação ao ver robôs roubando o lugar que foi conquistado com tanto suor. E digamos que a galera da tecnologia também não colaborou para que essa abordagem fosse mais tranquila. O discurso era cruel com doses de ameaça... A tecnologia se tornou vilã e nós, trabalhadores, as vítimas.

Mas é aí que te pergunto, precisa mesmo ser assim? Eu, com toda a humildade do mundo, enquanto seguro tua mão – mesmo que virtualmente – me arrisco a dizer que não. Você vai ser substituído por uma máquina – e sim, eu concordo essa parte tua mãe não te contou quando ela prometeu que você seria único. Porém, não desanime! Você não vai ter o seu emprego, mas isso vai ser bom!

A tecnologia abriu portas. Abriu portas para você estudar sobre aquilo que é do seu interesse. Abriu portas para seu emprego ser flexível e poder mudar a qualquer instante, conforme sua preferência. Abriu portas para "profissões máquinas" serem realizadas de fato por máquinas. Mas existe uma porta que ela ainda não abriu, porém posso te garantir que pelo menos a chave ela te deu. A porta do seu tempo livre e, essa, só cabe a você abri-la. Porque na realidade, tecnologia é ferramenta, a peça-chave para a mudança é aquela que está entre a cadeira e o computador: você.


Por Gabriela Fernandez