Transformar o Brasil pela transformação digital

Janeiro de 2019

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Todos nós brasileiros estamos vivendo a fase de expectativas de como será o nosso país à partir de 2019 com o novo governo e os novos congressistas e chegamos ao final do ano que é aquele período em que fazemos planos e sonhamos com o futuro. 

Tive a oportunidade de estudar Relações Internacionais e lá no curso aprendi que os países que se desenvolveram mais rapidamente foram os que definiram uma diretriz estratégica macro e ela, por sua vez, definiu todos os demais projetos nacionais, permitindo a criação das bases para o desenvolvimento. O meu sonho, que compartilho aqui na forma de proposta - é que a nossa diretriz macro fosse a de transformar o Brasil pela transformação digital, tornando o país em uma potência digital. 

Já temos um povo muito ativo no uso dos meios digitais. Dados recentes mostram que mais de 120 milhões de brasileiros usam esses meios para se comunicar, comprar, estudar e se entreter. Somos o segundo país do mundo mais ativo nas redes sociais, temos a maior taxa do mundo de tempo de conexão média à rede e usamos nossos smartphones à exaustão. A população já tem a cultura digital , sinto que nos falta apenas um plano macro para dar o empurrão necessário no sentido de entrarmos definitivamente no grupo das nações líderes na arena digital global. 

Essa transformação da nação pelo digital poderia ser muito benéfica para diversos setores da sociedade. Começando pelos mais jovens que poderiam transformar completamente suas vidas se o país adotasse uma política séria de formar um grande contingente de programadores, qualificando mão-de-obra pensante e executora para atender a altíssima demanda global por esse tipo de perfil profissional. Poderíamos virar uma nação de programadores e atender o mundo todo, adicionando uma importante linha de receita à nossa balança comercial internacional. 

Nesse sentido, outro projeto que tem potencial de transformar nosso país seria usar as plataformas digitais para ensinar a língua inglesa para a população em geral, transformando o nosso país em uma nação bilíngue e preparando as pessoas para trabalhar no turismo, comércio e nos serviços. Uma população mais bem preparada nesse âmbito poderá abrir muitas portas para os negócios do país no mundo todo. 

Pela ótica das Leis Trabalhistas, a transformação digital tem muito a contribuir. A discussão sobre "CLTização" ou "Pejotização" poderia ser substituída pela adoção em larga escala de plataformas digitais regulamentadas e que gerassem as corretas taxações de impostos. Quando um trabalhador usa uma plataforma digital - aqui pego apenas como um exemplo o Uber - toda as suas atividades ficam registradas, assim como todo o fluxo monetário estão ali na plataforma, de maneira que é possível para o governo cobrar os impostos de forma correta e as pessoas 

podem comprovar seu trabalho e receber por ele. A simplificação nas relações de trabalho poderia ser enorme. 

Recentemente estive na cidade de Madrid fazendo uma imersão em design de serviços e um exemplo deles me chamou bastante atenção. A prefeitura da cidade está usando plataformas digitais para disponibilizar o orçamento do ano, dividindo-o pelos bairros e cada cidadão daquele bairro pode votar nos projetos prioritários para a comunidade. Os projetos ficam abertos na plataforma e, ao término do período de votação, são eleitos. Esse é um bom exemplo de como a transformação digital pode ajudar na transparência e combate à corrupção, dois temas quentes no nosso país no momento. 

A transformação da população pelo empoderamento digital tem o poder de colocar o Brasil na rota do desenvolvimento acelerado. É a população empoderada pelos meios digitais - e não o governo - que vai transformar o Brasil em uma nação desenvolvida, justa e líder. O nosso solo agora é o digital e, assim como a nossa terra, ele é fértil e em se plantando, tudo dará.