Supermercados, os laboratórios do varejo digital

Junho de 2019

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No mês de abril, o Walmart inaugurou em Nova Iorque sua primeira unidade do projeto Intelligent Retail Lab, uma loja tecnológica com diversos tipos de recursos digitais e de automação, como displays interativos, câmeras acopladas a sistemas de inteligência artificial e um centro de dados robusto. O lançamento causou furor na imprensa ocidental, que reportou o acontecimento como um grande marco do varejo, alguns inclusive mencionando que a loja se assimilava a um cenário de ficção científica.


Sem tirar o mérito da gigante varejista, bem antes de abril de 2018, a rede Hema conquistava os clientes na China com tecnologia e funcionalidade, oferecendo tudo o que a loja inteligente do Walmart oferece com o adicional de um perfil de produtos naturais e frescos, entregas expressas, encomenda remota, sacolas que passeiam por cima dos poucos consumidores que mantêm o hábito de ir presencialmente fazer suas compras.


Polêmicas sobre ovo e galinha à parte, as experimentações e inovações nos supermercados acontecem a cada dia. O Brasil não está fora desta e, tanto nas grandes capitais como em cidades inesperadas como Penha, a transformação digital é também uma realidade. Cada vez mais comuns, os displays interativos informam consumidores sobre procedência e composição de alimentos, num mundo em que crescem tendências opostas, como o veganismo e o junk food, a preocupação com transgênicos, alergênicos, intolerâncias e dietas não só para emagrecer.


Em Penha, os consumidores já possuem a opção de caixas sem operadores há 2 anos. Infelizmente os caixas são restritos a compras com até 15 itens, mas o autoatendimento é oferecido por diversos estabelecimentos desde 2017.


As inovações também passam pelos carrinhos e ganham a missão de ajudar o cliente a economizar, a cumprir a tarefa de comprar todos os itens e fazer as melhores escolhas.


Dentro do desafio de facilitar a jornada de compra e acompanhar o avanço dos hábitos de consumo e necessidades da sociedade digital, vale quase tudo. Dentre algumas soluções inusitadas está a adega inteligente, que pelo código de barras fornece uma ficha completa do vinho e sugestões de pratos para harmonizá-lo. Caso o cliente não saiba preparar tais pratos, a adega se encarrega de imprimir a receita.


Outra solução pouco comum é a de uma loja do interior de São Paulo, que para estimular a compra on-line disponibiliza aos seus consumidores um tour virtual em 360 graus por toda a loja, que pode ser feito pelo celular ou desktop.


As gigantes do varejo trabalham na catequização do público, nem sempre formado por usuários adaptados ao mundo digital. Elas têm trabalhado em fases: através de seus aplicativos captam os dados dos clientes, para então agirem com o uso da inteligência artificial e outras tecnologias de automação, de forma personalizada, assertiva e efetiva.


E o futuro nem chegou ainda. Melhor assistir alguns episódios dos Jetsons para saber os próximos momentos dessa trajetória, antes que eles se tornem os Flintstones.