Porque a Inteligência de Dados é mais do que apenas números

Maio de 2019

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Nos últimos anos o mundo dos dados veio à tona e tornou-se protagonista das discussões em torno do contexto da transformação digital. Termos como big data e data intelligence deixam o imaginário técnico e passam a ser usados como argumentos nos momentos de decisão mais críticos dentro das empresas. Um dos principais indícios que comprovam esse ponto é o aumento de volume de buscas a respeito desse assunto no Brasil, que apontam um crescimento de mais de 200% de 2017 para 2018 segundo o Google Trends.  


Tendo esse desafio no ar, as empresas começaram a trabalhar cada vez mais focadas para conseguir coletar o máximo de informações sobre seus negócios, seus concorrentes e, principalmente, seus consumidores. Todos os nossos passos como usuários passaram a ser mapeados por DMPs (Data Management Platform) e empresas como o Google e o Facebook, apenas para citar alguns exemplos. Toda a nossa trajetória on-line passou a ser rastreada. Desde nossos comportamentos de compra até aquele vídeo esquisito que clicamos por pura curiosidade, mas que não queremos que ninguém saiba. 


Com tanta informação acessível e disponível, grandes empresas passaram a se questionar: "E agora? O que eu faço com toda essa informação?". O questionamento é natural, afinal é muita informação nova para ser digerida e a gente te entende. Por isso mesmo, traçamos um passo a passo que irá te ajudar a colocar toda essa informação rodando a favor do seu negócio.


# Não atropele as etapas, defina bem os seus objetivos 

O grande problema é que a nossa ansiedade nos faz pular etapas. A coleta de dados começa antes mesmo das empresas definirem os seus objetivos. Por isso, a importância de uma respirada bem funda antes de mergulhar nesse novo mundo. É preciso dedicar algumas horas do seu dia - e às vezes até dias - para entendermos quais as nossas necessidades de resposta como empresa. Qual a verdadeira dor que estamos tentando solucionar a partir dessa análise. Para assim nos certificarmos de que a informação que buscaremos de nossos consumidores fará sentido para o nosso negócio e, somente assim, conseguiremos definir as melhores práticas para resolver essa questão. 


# Organização é fundamental 

Com os objetivos definidos, é muito mais simples seguir para a próxima etapa. Organização dos dados. Esse também é um momento crucial para o sucesso da estratégia baseada em inteligência de dados. Nessa segunda fase é a hora de decidir quais informações serão necessárias para solucionar as suas dores, em quais fontes você buscará essa informação e quais cruzamentos de dados precisarão ser realizados. Feito isso, torna-se mais fácil definir quais softwares poderão te ajudar na criação de dashboards simples. Pois nosso objetivo não é dificultar ainda mais esse processo, muito pelo contrário. É nossa responsabilidade trazer essa informação em um formato de fácil compreensão que qualquer um possa visualizar e compreender a informação ali contida. O uso de uma linguagem didática será a única forma de tornar essa afirmação possível na prática. 


# É hora do show: transforme os seus dados em insights 

Na terceira fase é o momento do show. A inteligência deixa de ser estratégica e passa a ser sentida na prática. Em outras palavras, deixamos de dedicar nosso tempo a planejar e organizar essa informação e passamos a colocar a cabeça para funcionar: é chegado o momento da geração de insights. Um erro bastante comum entre as empresas nessa etapa é querer definir uma pessoa ou área que ficará responsável por gerar os insights. Mas insight é de graça, por que limitar esse processo e abrir mão de outras cabeças pensantes? A multidisciplinaridade só tem a enriquecer o seu processo. Porém, para isso funcionar é fundamental que seus dashboards sejam acessíveis por todas as pessoas da empresa e de seus parceiros de negócio (sempre restringindo informações sigilosas, é claro!). Deixo aqui uma pergunta: se o seu negócio é voltado para o público jovem, será que alguém tem conhecimento maior do que o seu estagiário sobre as dores e as necessidades desse target?


# Bons insights resultam em boas ideias

Com uma variedade de insights gerados, a fase seguinte é conseguir fazer com que esses insights virem ideias. Você pode estar se perguntando qual a diferença entre um insight e uma ideia. Um primeiro ponto importante a se esclarecer é que nem todo insight é uma ideia. Porém, toda ideia surge de algum insight. Conseguimos entender a diferença quando pensamos em uma situação extremamente complexa a ser resolvida. A complexidade está justamente por ser um problema com diversos fatores. Um insight geralmente tende a solucionar um desses fatores. Quando reunimos diversos insights, estamos prontos para ter uma ideia mais assertiva e eficiente para o nosso negócio. Portanto, na prática, essa etapa é o momento de juntar todos os insights gerados, analisá-los e tirar ideias que façam sentido para o negócio e definir como elas devem ser aplicadas na prática. 


# Hora da ação!

Na fase das ações, aí sim faz sentido ter algumas pessoas-chave dentro da empresa e de seus parceiros de negócio. Pois este é o momento de tirar as ideias do papel. Por isso, ter pessoas responsáveis pelas áreas estudadas é fundamental para esse processo ser efetivado com sucesso. Esse é o momento que conseguimos, na prática, provar que todo o dado coletado anteriormente é acionável para a evolução do negócio. Além de termos maior conhecimento sobre o impacto de nossas ações como empresa, embasamos nosso discurso com informações confiáveis e atualizadas da fonte mais assertiva - nosso consumidor! Contra fatos não há argumentos. Você está pronto para tirar as suas ideias do papel!


# É hora de avaliar os resultados e recomeçar o ciclo

Por fim, como estamos falando de dados, a última etapa, mas não menos importante, só poderia ser a análise dos resultados das ações implementadas. Os dashboards precisam trazer relatórios gerenciais, mostrando se os resultados foram alcançados, permitir identificar possíveis mudanças de rotas necessárias ao longo do percurso e tornando o terreno fértil para a geração de novos insights. Recomeçando assim o ciclo da inteligência de dados.



Já temos diversos exemplos de empresas que estão conseguindo implementar estratégias baseadas em dados e alcançando sucesso com isso. Temos cases mais recentes, como o da Netflix, que lançou a série própria “House of Cards” e “Stranger Things” (que havia sido recusada por mais de 15 canais de TV) com base em análise de comportamento de como o usuário assiste aos filmes e às séries na plataforma e de modelos preditivos de interesse, até de cases mais antigos, como o da Amazon nos EUA, que através do hábito e da frequência de compra do usuário no site, popularizou o cross e up-sell no e-commerce.


Ter os dados, mas sem a inteligência por trás, é como se a sua empresa estivesse perdida no mundo invertido e pronta para ser engolida pela concorrência.


Por Felipe Teixeira.