A loja de departamento do futuro: não, isso não é um artigo sobre e-commerce

Nos últimos anos vivemos a flor da pele a Revolução dos Aplicativos, inclusive, há aqueles que nos chamam de AppGeneration. Motivados por um consumo hiper personalizado, passamos a expressar nossa identidade através dos aplicativos exibidos na tela principal do nosso smartphone. Nossa personalidade digital passou a transitar entre apps de notícias, meditação, e-mail do trabalho ou até mesmo um app para contabilizar as horas que ficamos em todos esses outros aplicativos. 

Fevereiro de 2019

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          Nos últimos anos vivemos a flor da pele a Revolução dos Aplicativos, inclusive, há aqueles que nos chamam de AppGeneration. Motivados por um consumo hiper personalizado, passamos a expressar nossa identidade através dos aplicativos exibidos na tela principal do nosso smartphone. Nossa personalidade digital passou a transitar entre apps de notícias, meditação, e-mail do trabalho ou até mesmo um app para contabilizar as horas que ficamos em todos esses outros aplicativos.  A partir dessa combinação de interesses, hábitos e conexões sociais das mais variadas, passamos a nos identificar e tornamo-nos esses seres multifacetados que a internet permitiu - e arrisco dizer que potencializou.

          Embora as possibilidades de autoexpressão online aparentem ser ótimas, Gardner afirma em seu livro “The App Generation”, que elas não são irrestritas - vide os 140 caracteres de Twitter apenas para começar a exemplificar. Mas, não podemos negar, os aplicativos nos permitiram uma identidade fluida que se expressa para o mundo de forma hiperpersonalizada, mas não podemos esquecer que ainda são limitados pelas decisões de programação dos designers da área.  

          Cegos em busca de nichos de mercado específicos ou brifados por grandes empresas que buscavam apenas surfar essa onda, os profissionais começaram a criar aplicativos para qualquer coisa. Nós, por outro lado, vimos nossa tela do smartphone abarrotada de ícones cada vez menos clicados e era uma questão de tempo para a assustadora mensagem de “Seu dispositivo não tem mais espaço disponível” aparecer em nossa tela sem dó nem piedade.


          E foi assim, por livre e espontânea pressão que entramos na fase detox.

          Usando como referência a série do Netflix sobre o método Marie Kondo, passamos a desinstalar tudo aquilo que não nos traria mais alegria. Inclusive, segundo um estudo feito pela AppsFlyer, o consumidor brasileiro ficou em segundo lugar, entre os 13 territórios analisados, que mais removem apps do celular. Independente se a motivação para isso acontecer tenha sido uma experiência ruim ou para liberar espaço na memória, nossa mensagem é clara: não vamos carregar no bolso serviços que não provam sentido no nosso dia-a-dia.

          Buscamos por soluções mais abrangentes. A personalização foi traduzida em especificidades, quando na realidade o que queríamos eram soluções complementares pensadas para solucionar os desafios da nossa vida.


          Impactados por esse contexto, surgem os primeiros super-apps.


Mas não se assuste! Esse conceito não é um bicho de sete cabeças. Inclusive, ideias assim já foram criadas há anos e você está super familiarizado. Em algum momento, lojistas perceberam que vender peças de roupa e acessórios no mesmo lugar fazia sentido, pois a venda casada estimulava o consumo. Anos depois, as lojas de departamento elevaram esse conceito na potência mil. Passamos a comprar roupas junto com panelas, sapatos junto com toalhas e apesar da loucura, isso passou a fazer sentido. Tudo que queríamos, estava disposto em um lugar só.


          Em outras palavras: Lojas de departamento estão para produtos, assim como, Super-Apps estão para serviços.


          Essa nova categoria de aplicativos, nada mais é do que uma plataforma que reúne diversas funcionalidades em um só lugar - assim como as lojas de departamentos. Ou seja, trocamos os infinitos apps instalados em nossos smartphones por uma solução onde todos os serviços estão englobados em um único botãozinho.

          Mas não pense que isso é coisa do futuro! Na China o WeChat já é realidade. De maneira didática, podemos chamá-lo de Whatsapp com esteroides, pois o aplicativo também começou como uma plataforma de texto e voz, mas hoje a evolução é tanta que a sensação que temos é que nem céu é mais o limite. Pelo mesmo aplicativo, os chineses podem procurar por um serviço, contratá-lo, pagar por ele e recomendá-lo - tudo isso enquanto conversam com seus amigos e compartilham fotos do final de semana.

          Antes que você pense que isso é coisa da China, o Whatsapp já lançou sua versão beta para pagamentos na Índia. Mas, antes que você pense que isso é coisa do Oriente, podemos pensar no modelo do Rappi em terras brazucas. Um pouco diferente dos aplicativos mensageiros gringos, o modelo colombiano está ganhando destaque por disponibilizar em sua plataforma os mais diversos serviços - o cardápio vai de entregas à manicure a domicilio.

          Enfim, sejam quais forem os exemplos e estratégias de implementação além da conveniência, buscamos pela coerência. Pois as soluções precisam fazer sentido às nossas necessidades, mas obviamente queremos que isso ocorra de forma prática e fluida. Um desafio e tanto para as empresas desenvolvedoras. Mas desculpa, a tecnologia nos ensinou a sonhar alto e não vamos nos contentar com pouco!

Por: Gabriela Fernandez