Huawei, WhatsApp, reconhecimento facial, Android, LGPD, o mundo só fala em segurança digital.

Maio de 2019

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O assunto nunca saiu de pauta, mas reacendeu com a inesperada divulgação da falha de segurança do aplicativo WhatsApp, que tornou seus 1,5 bilhão de usuários vulneráveis a um vírus espião sem sequer uma ação ativa do usuário. Uma simples ligação perdida e, voilà, adeus privacidade. 


O mais assustador nisso tudo: apesar de ser uma falha gravíssima que permite pleno acesso ao smartphone de qualquer pessoa que possua o aplicativo instalado e de ela ter sido identificada no início de maio, o WhatsApp não informou os seus usuários. Optou apenas por corrigir o erro de desenvolvimento e disponibilizar uma atualização, deixando em prol de sua imagem milhões de usuários expostos a hackers oportunistas que poderiam ter se aproveitado da descoberta da suposta empresa com sede em Israel, acusada de ajudar governos a espionarem ativistas e jornalistas, a quem foi creditado o vírus espião Pegasus.


O acontecimento deixou o mundo de olhos bem abertos e a semana foi de revelações com a Microsoft liberando correções para o Windows que também já estavam sendo exploradas por hackers. Na sequência foi a vez da Intel assumir um bug similar ao Spectre e ao Meltdown, que dá possibilidade a cybercriminosos roubarem dados de usuários de processadores da marca.


No mesmo período, a cidade de São Francisco, quintal do Vale do Silício, 

foi a primeira dos EUA a banir o uso de equipamentos de reconhecimento facial pela polícia e pelos órgãos municipais. Numa votação quase que unânime, venceu o argumento de entidades que atuam em defesa das liberdades civis de que a tecnologia dá ao Estado o poder de rastrear as pessoas em seus cotidianos, ação que não condiz com um Estado regido pela liberdade e a democracia, além de que os sistemas não são 100% infalíveis, o que poderia gerar erros e injustiças com efeitos irreparáveis nas vidas dos cidadãos. 


Agora o assunto explodiu mesmo com a guerra fria entre EUA e China, travada também no âmbito tecnológico, onde americanos acusam a gigante chinesa Huawei de espionagem governamental e decretaram embargo a qualquer tipo de equipamento e tecnologia da empresa para a implementação da rede móvel 5G. O decreto do presidente Trump foi seguido pela Google, que restringiu atualizações do Android para os novos celulares da Huawei, o que impedirá o correto funcionamento de novos aplicativos.


Na briga por segurança e privacidade, os EUA também forçam posicionamento semelhante dos chamados “Five Eyes”, Inglaterra, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, países cujos serviços secretos compartilham milhões de dados ultraconfidenciais sob a ameaça de não realizar mais essa sinergia. 


Em sua defesa, a Huawei garante que é capaz de provar que não faz parte de nenhum sistema de espionagem e tem como garantir que sua tecnologia é segura. Tem inclusive se colocado disposta a assinar acordos de segurança e privacidade com todos os interessados. Contra si, críticos argumentam que as leis chinesas impedem que qualquer empresa do país se negue a colaborar com informações para o governo, além de gafes públicas como a do engenheiro que roubou um braço robótico de uma parceira alemã usando o argumento de que a peça teria caído em sua mochila ao sair do laboratório. 


No Brasil a pauta em torno da segurança digital também está agitada e apesar de pouco se falar na nova LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), ela já gerou até medida provisória e entrará em vigor em dezembro de 2020, prometendo multas bem pesadas às empresas que a descumprirem. 


Não é de hoje que dados são uma mina de ouro. Mas a era de que se podia fazer tudo com estes dados parece que está chegando ao fim. Mesmo que muita gente nem tenha se dado conta do quanto já distribuiu informações por aí. Isso em todos os níveis. Estatal, privado, micro, macro, PJ, PF, emocional, industrial, comportamental...