Cultura do Design para empresas: mais do que metodologia, uma forma de ver o mundo

Abril de 2019

Artigos em destaque

Viver está complicado e eu tenho certeza que você me entende. É muita informação, muita velocidade, muito problema e muita solução ao mesmo tempo. Aos criativos que assumem a responsabilidade de projetar algo novo, então... haja coragem! 

Vivemos em um contexto de uma complexidade tamanha que o caos tornou-se a nova ordem. Os paradoxos da vida moderna nos fazem enfrentar situações extremamente desafiadoras e lidar com contradições passou a ser rotina. Pois enquanto temos como premissa massificar uma produção para reduzir custos, devemos pensar na customização da entrega para o nosso consumidor. Simultaneamente que devemos pensar em soluções localmente, precisamos atuar globalmente. É necessário pensar em produtos inovadores, porém se não projetarmos uma experiência completa, o esforço foi todo em vão. E tudo isso acontecendo enquanto escolhemos uma fotinho para postar no Instagram, que além de ser o ângulo perfeito e ter a luz ideal, a paleta de cores da foto deve ornar com o resto do feed. A verdade dói, mas a nossa evolução como espécie veio acompanhada de um nível hardcore de responsabilidades, dificuldades e diria até com pitadinhas de angústia. 

Mas (in)felizmente a vida é isso aí. Diante de um mundo de inseguranças, a única certeza é que a transformação é constante. Nosso desafio é encontrar uma forma de lidar com ela da melhor maneira possível — ou a que nos gere menos cabelos brancos. Com isso em mente, desconstruir-se para reconstruir-se passou a ser um paradigma que vivemos no nosso dia a dia. 


Mas por que falar de tudo isso em um texto sobre a cultura do design dentro das empresas? 


O design abriu espaço para o caos. Permitiu ter um momento em que não saber de nada é premissa. Além disso, abriu espaço para testar, experimentar ideias e ainda quebrou a linearidade do processo criativo, te deixando executar as etapas na ordem que lhe convir e fizer sentido. 

Apesar de ser um modelo mental mais intuitivo, o resultado é genial — daqueles que a gente se questiona, "como não pensaram nisso antes?". E  o mais legal é ver o resultado de tudo isso quando colocado em prática. O pensamento de design afetou diretamente na importância, ou melhor, na desimportância que o erro assumiu durante toda a fase de criação. Errar é descobrir uma maneira de não dar certo e nada mais que isso. Não é crime, não é incompetência e, principalmente, não é reflexo de uma falta de planejamento. É apenas parte do processo e está tudo bem. Diante da complexidade e da quantidade de problemas que estamos nos deparando na atualidade, reduzir a importância do erro é fundamental (eu diria até primordial) para deixar o processo fluir e as ideias de fato conseguirem sair do papel. 

Entendemos que estamos imersos em questões muito mais difíceis do que antigamente, mas substituímos a angústia por uma nova forma de abordagem extremamente eficaz e amplamente acessível. Um modelo que, segundo Tim Brown, é voltado à inovação, e que ainda pode ser integrado a todos os aspectos dos negócios e da sociedade, e que indivíduos e equipes podem utilizar para gerar ideias inovadoras que sejam implementadas e que, portanto, façam a diferença. 

Abraçar a complexidade moderna nos permitiu tangibilizar de forma mais assertiva nossos desafios — e essa é a maior vantagem do pensamento de design quando implementada a cultura de alguma empresa. Estimulamos a nossa visão macro e entendemos os contextos na profundidade, tudo isso sem nunca abrir mão do olhar micro, trazendo sempre o consumidor final como foco de todas as nossas decisões. Como resultado, pensamos em soluções mais completas e coerentes. 

Assumir o pensamento de design como premissa na tomada de decisões estratégicas, deixa de lado um processo analítico do qual estávamos acostumados — olhávamos o passado para prever o futuro e seguíamos à risca os novos pontos estipulados — e passamos a entender o processo de decisão como etapa criativa, onde assumimos o papel de protagonistas da nossa história e nos tornamos capazes de desenhar os futuros que mais fazem sentido para a nossa realidade de negócio. 

Muito mais que uma modelo mental, valer-se do pensamento de design é uma forma de ver o mundo e enfrentar desafios. Portanto, muito mais que algo instituído, é uma escolha pessoal de cada um. Paralisar diante de um cenário inédito e assustador é natural do ser humano. Cabe a nós escolhermos as ferramentas que joguem a nosso favor e o design se apresenta como uma ótima opção. 


Por Gabriela Fernandez.