Soft skills

Junho de 2019

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Passamos a vida inteira aprendendo sobre história em cima de uma linha do tempo e não te julgaria se enquanto eu falo a palavra cronologia, você desenha uma linha reta imaginária na sua cabeça. Além disso, durante anos tivemos o ritmo da nossa mão de obra ditada em cima de uma esteira de produção, que assim como o exemplo anterior, serviu como linha guia para acompanhar o raciocínio por trás de qualquer produto. Tudo isso para te dizer que sim, vemos o mundo através de uma perspectiva linear. Te digo isso para informar que te entendo. Te entendo na dificuldade de compreender que a evolução tecnológica avança em crescimento exponencial.


Mais do que tentar te explicar através de termos técnicos, vamos a um exemplo na prática: diferente dos 100 anos que se espera viver dentro de um século, se analisarmos pela perspectiva tecnológica, em pleno século 21 vivenciaremos algo parecido com 20 mil anos de progresso. Pois é! Essa mensagem é para você que ri da sua avó que só consegue mandar áudio pelo WhatsApp, se você quiser ser ela no futuro, vai ter que se virar nos 30 para conseguir acompanhar a inserção tecnológica de seus netos.


Mas a mensagem que fica é: sim, as coisas vão evoluir muito em relação à realidade que conhecemos hoje. Robôs, inteligência artificial, internet das coisas são apenas o começo dessa caminhada. Assusta? Assusta! Mas parafraseando Yuval Noah Harari em Homo Deus: "as pessoas geralmente têm medo da mudança porque temem o desconhecido. Mas a única grande constante da história é que tudo muda".


Por isso, deixemos o pessimismo e o discurso apocalíptico de lado e passemos a analisar pela perspectiva do copo meio cheio: se a tecnologia evolui exponencialmente e com ela as novas soluções, de forma análoga nossa progressão intelectual também aumentará. Veja bem, à medida que descobrimos maneiras mais eficazes de fazer as coisas, também descobrimos melhores formas de aprender e com isso evoluímos junto nesse processo.  


Então não, no futuro você não competirá com máquinas. Se você for inteligente, aliará seus esforços a elas, e dedicará seu tempo a provar-se único para o mundo. E os acadêmicos que me perdoem, mas o que te diferencia não vem escrito no currículo. Inclusive, esse comportamento é a principal evidência de que migramos da economia do conhecimento para a economia humana ou emocional como muitos passaram a chamar.


Aliás, Siedman já tinha cantado essa pedra lá em 2014, quando escreveu para a Harvard Business Review que os futuros profissionais seriam contratados por seus corações e não por suas mãos (escorreu uma lágrima aqui!). Na prática, ele percebeu que o know-how e as habilidades analíticas indispensáveis na economia do conhecimento não seriam diferenciais em um contexto de inteligência artificial. Por outro lado, acrescentou que a relevância dessas pessoas será provada a partir das características que vão além daquelas programadas em softwares, como criatividade,  paixão, caráter, espírito colaborativo, entre tantas outras características genuínas de nós seres humanos que, como bom gourmetizadores que somos, demos um nome bonito e passamos a classificá-las como soft skills.


E essa é a parte mais fascinante! Diferente do que esperávamos, a revolução tecnológica nos aproximou do nosso lado mais humano. Em contrapartida à agilidade e à velocidade dos avanços tecnológicos, não vejo um cenário com menos tecnologia, e sim um contexto com mais humanidade. Em uma realidade de automação de empregos em que máquinas estão sendo treinadas para serem humanizadas, posso garantir que nessa disputa já estamos em vantagem. Já nascemos com essas capacidades dentro da gente, prontinhas para serem exploradas, apenas às vezes esquecemos de utilizá-las.


Agora vem cá, você está usufruindo dessas suas capacidades a seu favor? Entre em contato com a gente por aqui ou por nossos canais sociais.


Por Gabriela Fernandez.